Julgamentos aconteceram nos auditórios da AL
06/10/09
Serão enterrados esta tarde, em Fortaleza, os restos mortais do militante cearense morto na Guerrilha do Araguaia, Bergson Gurjão. É o primeiro dos quatro cearenses que o governo brasileiro está obrigado a enterrar, depois que foi condenado pela instância internacional dos direitos humanos a achar os corpos e entregá-los às famílias.
Bergson Gurjão foi assassinado em uma operação do exército, em 1972, mas o corpo dele só foi localizado na década de 90. Foi entregue para reconhecimento da família em julho deste ano. os outros três cearenses mortos ainda não foram localizados.
37 anos se passaram. O enterro de Bergson Gurjão vai ser finalmente realizado às 17h, com honras de estado, no cemitério Parque da Paz. A cerimônia será acompanhada pelo ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, da Presidência da República. Nesta segunda-feira (05), representantes da secretaria participaram de uma audiência pública na Assembléia Legislativa,
homenagearam vítimas da repressão do regime militar e julgaram processos de anistia política.
Os julgamentos aconteceram nos auditórios da Assembléia. Foi o primeiro dia de audiências para indenizar anistiados políticos. Ex-perseguidos levaram um boneco, de mãos e braços atados, para simbolizar os anos de tortura. O militar de reserva Francisco Gomes falou da prisão em 1964. “Os que se consideravam livres sofriam uma perseguição muito grande”, afirmou Francisco.
O aposentado João Ferreira lembrou os dias de tortura em poder do militares. “O que eu sofri e o que os outro também sofreram não há dinheiro nenhum que pague. Foi um crime contra a humanidade”, comentou o aposentado.
Anualmente, o Governo Federal libera recursos para indenizar os anistiados. Os valores podem ser pagos integralmente ou em parcelas vitalícias, que depende do tipo de dano causado pelo regime militar. É uma espécie de compensação aos ex-perseguidos políticos e famílias inteiras.
O cearense Bergson Gurjão, estudante de 25 anos, morto no Pará, foi anistiado. O corpo foi encontrado em 1996 e reconhecido apenas agora, 37 anos depois. “A demora se deve a questões técnicas. Esse material que foi retirado em 1996 havia passado por três testes de DNA, que deram negativo. Com o avanço da tecnologia, é que se conseguiu a identificação positiva”, explicou Vera Rotta, da Secretaria Especial de Direitos Humanos.
A irmã de Berson Gurjão participou da audiência de anistia. A família foi indenizada. Para ela, este é o fim de um quase quatro décadas de angústia. “Foi uma luta muito feia, e a nossa família sofreu, você não queira nem saber o quanto”, disse a aposentada Tânia Gurjão.
De segunda para terça (06), serão julgados, só no Ceará, 74 processos. Homens, mulheres e famílias a espera de uma resposta do governo sobre os “anos de chumbo” no Brasil. “Agora, é o momento de o estado brasileiro pedir desculpas oficiais aos cearenses pelos erros que o estado cometeu contra eles no passado”, declarou Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia.
Os restos mortais de Bergson Gurjão chegam no começo da tarde na Base Aérea e, de lá, seguem em um carro do Corpo de Bombeiros até a Universidade Federal do Ceará (UFC), no Benfica. Um painel vai ser inaugurado em homenagem à memória do estudante. A cerimônia vai contar com a presença de familiares, anistiados e autoridades.
Assuntos: Anistia, Assembleia Legislativa, Bergson Gurjão Farias
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