Especialistas fizeram medição das marés altas
07/08/09
A Justiça Federal tem mais um elemento para decidir se as barracas da Praia do Futuro devem ou não permanecer no local. Especialistas fizeram a medição das marés altas e concluiram: as barracas estão fora da faixa de praia. O laudo foi recebido com otimismo pelos donos de barracas, mas a questão, provocada pelo Ministério Público, ainda está sem data para ser concluída. O Bom Dia Ceará teve acesso ao laudo.
A vistoria determinou uma linha imaginária com a distância permitida para construções na orla da Praia do Futuro. Segundo os técnicos, um espaço a 33 m do nível do mar alto, ou seja, até onde vai a água durante a maré cheia. A demarcação foi feita depois que os barraqueiros perderam na Justiça o direito de permanecerem no local. Em seguida, uma nova ação impediu a retirada das barracas. A polêmica também mexe com os frequentadores. o turista Flávio Modesto é de Salvador. Lá, os barraqueiros tiveram que entrar em acordo. “Na verdade, acabaram com as barracas na área mais próxima”, afirmou Flávio.
Desde 2005, Ministério Público e barraqueiros discutem na Justiça o reordenamento da Praia do Futuro. A fiscalização alega que a área destinada aos banhistas está sendo cada vez mais invadida pelas barracas. “A gente vê que cada vez mais as barracas estão ficando mais próximas. Essa faixa de areia está cada vez mais diminuindo”, comentou a bancária Raquel Modesto.
Os barraqueiros se defendem e afirmam que estão abertos ao diálogo. “No local onde estão as barracas, a maioria delas não é praia. O que a gente quer é valorizar, pagar nosso impostos, saber nossos limites”, disse Flávio Costa, vice-presidente da Associação de Barraqueiros.
O Ministério Público diz que as barracas teriam que recuar até a distância onde está o canteiro central da rua. No meio da polêmica, tem gente que já desistiu e colocou a barraca à venda.
A questão espera agora pelo laudo técnico que vai determinar se as barracas estão ou não em área proibida. o resultado da perícia deve sair em um mês. Até lá, a polêmica continua. “Se essa perícia atestar que essas barracas estão em área de praia, elas não vão poder ficar ali”, garantiu o procurador Alessander Sales.
Até que a questão seja definitivamente concluída, nenhuma obra pode ser feita na Praia do Futuro. Nem mesmo as barracas abandonadas do trecho antigo da praia podem ser demolidas. Ainda segundo o procurador Alessander Sales, os empresários ainda poderão recorrer a três instâncias: Tribunal Regional Federal (TRF), Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF).
Assuntos: Barracas, Praia do Futuro
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