Em Caetanos de Cima, cenário é fonte de renda da população
17/04/09
Nesta semana, o Bom Dia Ceará exibiu uma série de reportagens sobre as comunidades que estão organizadas para participar do turismo. Nesta sexta-feira (17), o BDCE faz a última parada. O destino é o município de Amontada, a 163 km de Fortaleza. Lá tem uma praia que recebe o turista de uma forma bem diferente. Ele fica hospedado nas pousadas simples dos pescadores, vive a rotina da comunidade e ainda pode dançar o côco, ritmo tradicional da comunidade. É assim na praia de Caetanos de Cima.
É como um convite em um cartão postal. Dunas cercadas de lagos recepcionam os visitantes da comunidade de Caetanos de Cima, em Amontada. No local, pescadores artesanais dividem espaço com famílias que vivem da agricultura. Todos tiram o sustento da natureza exuberante. O cenário, que encanta quem chega, é aproveitado também como fonte de renda pelos moradores, com o Turismo Comunitário.
O Turismo Comunitário, no local, surgiu como estratégia de resistência contra a especulação imobiliária. Os moradores contam que um empresário estrangeiro, dono de um terreno, tem um projeto de transformar toda a área em um grande empreendimento turístico de luxo. Para evitar que isso aconteça, os moradores fazem pequenas plantações e ergueram uma pousada, para hospedar quem busca apenas a tranquilidade da praia. “Não temos interesse em receber multidões de pessoas, até porque a gente leva em conta os recursos naturais que a gente tem, e o objetivo maior é a fixação das pessoas, que permaneçam aqui, e que essa atividade seja complementar às atividades já existentes como pesca e agricultura”, afirma Valneide Ferreira, administradora da pousada.
A idéia é destinar parte do pescado para o consumo dos turistas nas pousadas e em barracas ainda em construção. “O côco, côco verde, mucunzá, cocada, tudo colhido daqui, feito pelas mulheres da comunidade, para que essa renda vá para elas, fique no nosso meio mesmo, sem precisar ir pra fora”, explica a cozinheira Ieda Maria.
Segundo a Rede Brasileira de Turismo Comunitário, atualmente, há 12 projetos como este em 61 municípios brasileiros. Eles envolvem diretamente 400 famílias, que aproveitam a beleza de onde moram para receber turistas. Antônio José é um exemplo de quem aposta no Turismo Comunitário. De agricultor, ele passou a empreendedor: construiu um chalé e está erguendo outro ao lado. “Tô apostando justamente no turismo. Acho que vai dar certo né. É uma praia, uma região que ainda é muito calma, não tem essa questão da poluição, e se vê muito a qualidade de vida das pessoas, por ser uma área muito preservada ainda né”, declara Antônio.
Até os jovens estão empolgados com a idéia. São eles, que guiam os turistas, explicam de onde vem as algas petrificadas que forram as dunas.
À noite, a embolada conduz a dança do côco. “A dança é dos indígenas, e a batida é dos negros africanos. Eu acho importante, porque é uma cultura que vem repassada para nós. Então, é uma cultura que é boa de dançar e também é bem significativa”, explica Graciele Sousa, de 11 anos.
Está é uma das curiosidades que estão no almanaque escrito pelos moradores. Eles gravaram um CD com músicas próprias. É o Turismo Comunitário: um jeito diferente de acolher os visitantes; com um pouquinho da vida simples, da arte, da capacidade de se organizar em comunidade e do orgulho de se viver no lugar.
O Bom Dia Ceará conversou a representante da Rede Cearense de Turismo Comunitário, Rosa Martins. A matéria completa e a entrevista, você confere no vídeo ao lado.
Assuntos: Caetanos de Cima, Turismo comunitário
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