Por mais de 60 anos, bairro foi palco de corridas de cavalo
31/10/09
Por mais de 60 anos, o Jóquei Clube de Fortaleza foi o palco das grandes corridas de cavalo, precisamente de setembro de 1947 até fevereiro do ano passado. No local, eram realizadas as grandes corridas nos fins de semana. Vinham cavalos e éguas de vários estados para as competições. A relação do Jóquei com os moradores ficou tão forte que este acabou virando o nome oficial do bairro.
Estrada do Pici. Avenidas Carneiro de Mendonça, Senador Fernandes Távora e Lineu Machado. No bairro Jóquei Clube, vivem 21 mil pessoas. No lugar, fica o Estádio Alcides Santos, do Fortaleza. Até o final da década de 60, o bairro era chamado de Dr. Daniel de Queiroz, uma homenagem ao pai da escritora Rachel de Queiroz, que possuía um sítio na região. A comerciante Marli Pereira chegou em 1954. Ela foi uma das primeiras moradores da rua Rio Grande do Sul. “Não tinha asfalto, não tinha transporte. Era areia mesmo. À noite, a gente sentava na calçada para conversar e brincar”, afirmou Marli.
Outro antigo morador do bairro, responsável pelo atual nome, é Hipódromo Stênio Gomes da Silva, onde funcionou de 1947 até o ano passado o Jóquei Clube cearense.
Até hoje, o serviços gerais Francisco Barbosa é responsável pela limpeza do salão principal, hoje bem menos movimentado. Na memória guarda os fins de semana das corridas. “Quando tinha as corridas, tinha leilão na sexta, sábado era a corrida e domingo tinha corrida com os ganhadores de sábado. Era a final”, relembrou.
Na parede, ainda dá para ver a lousa de apostas. “Tinha a hora, os carros concorrentes, tinha o jogo. Cada proprietário jogava o tanto que queria. Cada qual queria ganhar uma corrida”, explicou o treinador Francisco de Souza da Silva, o Marco Piu-Piu.
O treinador de cavalos, que desde os nove anos anda pelo Jóquei de Fortaleza, também fazia suas apostas e lembra dos nomes dos animais campeões. “Tinha um cavalo chamado Cupom, que era muito bom. Tinha o Dorilan, que era um cavalo muito corredor”, informou Marco Piu-Piu.
Dos dez pavilhões de baias do passado, apenas quatro estão funcionando. Neles, ainda ficam alguns cavalos. É neste lugar que se tem a sensação de que o Jóquei Clube ainda tenta sobreviver.
A época das grandes corridas aos sábados ficaram na memória de pessoas como a dona-de-casa Tereza Alves, que mora desde 1972 em uma casa em frente à entrada do clube. “Antes mesmo de eu morar aqui, já vinha ver corrida aqui. Achava bom, era animado, era uma maravilha. Vinha muita gente”, disse Tereza.
Assuntos: Jóquei Clube, Meu Bairro na TV
o jockey e o melhor bairro no mundo